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EUA: navio é afundado
para formar recife artificial


Para Thom Dietmeyer, um oficial reformado da marinha dos Estados Unidos, estar de volta à ponte de comando do navio em que ele um dia havia servido era como um sonho realizado - mesmo que para isso ele tivesse de mergulhar a uma profundidade de 21 metros.

O navio Oriskany, que serviu aos Estados Unidos nas guerras da Coréia e do Vietnã, foi afundado para ser uma base para a formação de recifes artificiais

"Eu sabia exatamente para onde precisava ir, assim que mergulhei no local", ele contou, relembrando a experiência submarina, que aconteceu em maio de 2007 e envolvia os destroços de um porta-aviões afundado, o USS Oriskany.

O Oriskany, conhecido na frota pelo apelido Mighty-O, foi comissionado originalmente em 1950, e serviu aos Estados Unidos nas guerras da Coréia e do Vietnã.

A marinha decidiu afundá-lo ao largo da Flórida em maio de 2006, como parte de um programa-piloto que envolve utilizar velhos navios como base para a formação de recifes artificiais. Com um deslocamento de 44 mil toneladas, o Oriskany representa por larga margem a maior embarcação já afundada para essa finalidade.

A marinha norte-americana retém no momento 59 navios como parte de sua reserva inativa, e espera reduzir esse total em pelo menos 20 ao longo dos próximos 10 anos.

A maioria dos navios que serão dispensados pelas autoridades navais serão vendidos para desmonte e reaproveitamento de materiais, mas é provável que diversos deles venham a se tornar as pedras fundamentais em um projeto que visa formar recifes ao largo das costas do país. A reação ao uso do Oriskany para essa finalidade, segundo a marinha, foi bastante positiva.

"É evidente que existe entusiasmo quanto a essa proposta", disse Glen Clark, do Programa de Navios Inativos da marinha norte-americana. "Na verdade o número de áreas interessadas em receber uma dessas embarcações para criar um recife artificial supera o número de navios que temos disponíveis".

Os potenciais benefícios econômicos de afundar navios de maneira a formar recifes são significativos. Um relatório da Universidade do Oeste da Flórida afirma que o afundamento do Oriskany resultou em ganhos de valor equivalente a US$ 4 milhões para Pensacola e para o condado de Escandia, em 2007.

Mas há sérios desafios ambientais envolvidos no processo de criar recifes com base em navios da marinha. As forças armadas dos Estados Unidos gastaram cerca de US$ 20 milhões para realizar a limpeza completa do Oriskany, mas ainda assim o processo deixou um total estimado em 320 quilos de bifenil policlorinatado, ou PCB, na embarcação, principalmente nos sistemas de cabos elétricos e no isolamento das anteparas protetoras.

Alguns ecologistas alertaram que afundar o Oriskany criaria um risco desnecessário de introdução de PCB na cadeia alimentar da região. A marinha trabalhou em contato com a Agência de Proteção Ambiental (EPA), em um esforço que criou diretrizes especiais e permitiu que o PCB ficasse no navio, e existe um estudo promovido pelo Estado da Flórida em curso, a fim de determinar se existem produtos químicos contaminando o ambiente marinho, desde que o navio foi afundado

Enquanto isso, os destroços do navio vêm sendo usados constantemente para mergulhos e como ponto de referência de pesca, a cada dia. A 21 metros de profundidade, a torre de navegação do porta-aviões está recoberta de ouriços-do-mar espinhentos e de moluscos de casca espessa. Gigantescas barracudas nadam à espreita perto das grandes janelas da ponte de comando, das quais os vidros foram removidos. Um total de 38 espécies de peixes já foram avistadas nos destroços.

Quando o navio foi afundado no local, alguns funcionários do serviço estadual de segurança estavam preocupados com a possibilidade de que mergulhadores atraídos pelo porta-aviões excedessem a profundidade prudente e com isso sofressem da doença de descompressão, ou cãibra dos mergulhadores.

O topo da torre de controle fica a uma altura de 21 metros sob o mar, mas o convés de vôo do porta-aviões está localizado a 42 metros de profundidade, e a base do casco repousa a 65 metros. O limite recomendado para mergulhos recreativos é de 41 metros.

Um homem de 39 anos morreu em mergulho aos destroços do Oriskany no final de agosto do ano passado, e o legista do condado de Escandia atribui o óbito à doença da descompressão.

Outro homem morreu de um aparente ataque cardíaco a bordo de um barco, depois de mergulhar mo local em 2006, mas a polícia local afirma que a morte dele não tem relação com a profundidade.

O "grande recife do porta-aviões" já foi tema de reportagens e sites como um dos melhores locais de mergulho da costa norte-americana.

"Ele colocou Pensacola no mapa como ponto para mergulho", disse Jim Phillips, co-proprietário da MBT Divers, em Pensacola. As três lojas de equipamento de mergulho da cidade reportam ótimos negócios relacionados ao Oriskany, com 4,2 mil viagens de mergulho aos destroços registradas em 2007.

O navio se tornou um grande atrativo para os interessados em assuntos militares, igualmente, entre os quais veteranos que serviram a bordo. Mas um veterano que ainda não mergulhou para rever o porta-aviões foi o senador John McCain, candidato á presidência, cuja última missão de bombardeio decolou do Oriskany em 26 de outubro de 1967.

Durante a missão, ele foi abatido e passou seis anos como prisioneiro de guerra. "Nós convidamos o senador McCain para uma visita", disse Phillips, "e ele será bem-vindo para mergulhar conosco sempre que quiser".

Fonte: Portal Terra

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