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Portugueses descobrem sítios
arqueológicos no mar açoriano


Por João Aranda e Silva, da Agência Lusa

Angra do Heroísmo, 25 ago (Lusa) - A Baía de Angra do Heroísmo, no território português dos Açores, continua surpreendendo com vestígios arqueológicos, com a descoberta de três novos sítios marítimos por uma equipe de pesquisadores.

José António Bettencourt, responsável pelos trabalhos arqueológicos, revelou à Agência Lusa que foram localizados um novo local de naufrágio - denominado "Angra J" -, um túmulo de lastro de embarcação e um terceiro sítio com vestígios que vão do século 16 ao século 20.

O navio naufragado encontrado mantém grande parte de sua estrutura de madeira. No local, foi localizado também um canhão de ferro, além de um apito de bronze do século 16, que pode ter sido usado para chamar a tripulação e que já foi enviado para o Centro de Conservação e Restauro de Portugal, segundo o arqueólogo.

Além disso, foram recolhidos outros objetos em metal e cerâmica, incluindo uma solidificação que os técnicos pensam “corresponder a uma espada”.

Junto do túmulo de lastro, os arqueólogos localizaram uma "anforeta" e outras cerâmicas mais comuns.

O terceiro local possui vestígios de diferentes épocas, o que remete a uma possível utilização como zona de ancoragem e atividades portuárias. Dentro da área, segundo José António Bettencourt, foram encontrados materiais - entre eles, potes de cerâmica e cachimbos - que "possuem uma coerência tipológica e cronológica" com o século 19 e que "pode corresponder a outro naufrágio".

"A datação dos materiais recolhidos vai ser feita por sua tipologia", em comparação com outros artefatos encontrados por arqueólogos e já datados, explicou o pesquisador.

As pesquisas no fundo do mar dos Açores recebem 40 mil euros de financiamento do Projeto de Investigação Arqueológica Subaquática, financiado pela Direção Regional da Cultura. O programa teve início em 2006 e dura até o próximo ano.

Na Baía de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, estão sinalizados dez locais de naufrágios e cerca de duas dezenas de sítios com interesse arqueológico. Dois sítios viraram parques arqueológicos e estão abertos ao turismo subaquático desde 2006.

O governo dos Açores planeja abrir mais locais para visitação, como os navios afundados "Caroline" (1901), que controlava o mercado europeu de adubos, e "Slavónia" (1909), embarcação inglesa de passageiros.

As primeiras investigações arqueológicas subaquáticas no arquipélago português dos Açores, com caráter científico e sistemático, datam de 1996.

Fonte: Agência Lusa

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