Jubartes não estão mais na categoria de animais sob grande risco de extinção
RIO - Está aberta a temporada do turismo de observação da baleia jubarte. De julho a novembro, barcos saem da praia do Forte, de Itacaré e de Caravelas, na Bahia, lotados de caçadores de belas imagens, munidos com máquinas fotográficas, prontos para disparar dezenas de fotos. Graças as ações da IUCN ( em português, União Internacional para a Conservação da Natureza) e da lei brasileira 7643/87 que proibiu a caça e o molestamento destes enormes cetáceos, a baleia jubarte deixou a categoria de animal sob grande risco de extinção para baixo risco. Em todo o mundo, elas alcançaram o número de 30 mil e, no Brasil, são hoje 6.250.
Atualmente, a estimativa é de que existam 27% da população original das jubartes na costa brasileira, mais precisamente do litoral do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. No auge da perseguição às baleias, em 1904, elas foram praticamente dizimadas restando apenas 5% da população que aqui vivia originalmente. A caça às baleias-jubarte data de 1602, quando a população de 30 mil mamíferos marinhos começou a sofrer as conseqüências de um mercado sanguinário e cruel.
" O Brasil é um grande ícone da preservação das baleias "
Segundo a diretora-presidente do Instituto Baleia Jubarte, Márcia Engel, o número de jubartes, que saem das Ilhas Malvinas e vêm para cá procriar, aumentou no país como conseqüência dos trabalhos de conservação.
- O Brasil é um grande ícone da preservação das baleias. Mas a posição de alguns países membros da comissão internacional das baleias ainda demanda cautela. O Japão tem anunciado que vai voltar a realizar a caça, como fazem a Noruega e Islândia - disse
Para Márcia, o turismo de observação também auxilia nos esforços de preservação, pois serve para sensibilizar a opinião pública.
- Quem vê uma baleia, jamais esquece. É uma experiência única.
E não dá ser diferente: uma baleia de 40 toneladas projetando ¾ de seu corpo para fora d'água através de um salto ou a visão de uma fêmea com seu filhote recém nascido, um "bebezinho" que já pesa cerca de duas toneladas e mede em torno de 4m de comprimento, são cenas inesquecíveis. A imagem promove uma verdadeira sensibilização aos observadores.
" Quem vê uma baleia, jamais esquece. É uma experiência única "
O Instituto Baleia Jubarte vê o turismo de observação de baleias (ou whalewatching) como uma excelente ferramenta contra o retorno da caça comercial de baleias e como fonte de benefícios econômicos, ambientais e culturais para as comunidades. No Brasil, o turismo de observação de baleias (whalewatching) é regulamentado pela portaria do IBAMA nº 117/1996 (alterada pela portaria n° 24/2002).
Mas o Instituto ainda se preocupa porque, apesar da aparente recuperação de várias populações de baleias, elas ainda estão muito aquém dos números existentes antes da caça.
No Brasil, as populações de francas e jubartes foram praticamente dizimadas, a ponto de não se ter mais notícia destes animais durante vários anos. Para Márcia, os encalhes decorrentes de atropelamento por embarcações, emalhamento em redes de pesca, contaminação do ambiente marinho, precisam ser monitorados e minimizados para que se consiga garantir a sobrevivência e recuperação destes animais.
Fonte: O Globo Online
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