Estudo alerta que áreas protegidas marinhas não estão a ajudar recifes de coral

Manter longe pessoas e barcos de pesca das áreas frágeis no Oceano Índico não protege os recifes de coral como muitos cientistas pensavam e muito menos contribui para acelerar a sua recuperação, alerta hoje um estudo publicado na revista “PLoS One”. Um outro estudo pede a estabilização do dióxido de carbono na atmosfera para salvar estes ecossistemas.
A explicação é que muitas destas áreas protegidas situam-se em águas quentes, onde os recifes de coral têm dificuldade em sobreviver quando as temperaturas sobem de repente, disse Nick Graham, biólogo marinho da Universidade de Newcastle, coordenador do estudo.
A investigação - que olhou para 66 locais com recifes de coral em sete países e traçou a sua evolução de 1994 a 2004 - salienta a necessidade de agir urgentemente para salvar estes ecossistemas.
“O Oceano Índico é uma das zonas com maior diversidade de corais do planeta”, disse Graham. Mas “as áreas protegidas marinhas actuais não têm mais potencial para uma recuperação mais rápida do que as zonas não protegidas”.
Nove áreas protegidas, variando entre um e 14 quilómetros quadrados, nas Seychelles e Norte da Tanzânia conseguiram recuperar os “stocks” de peixe mas não fizeram muito pelos recifes de coral. Já estes estão a recuperar muito mais rapidamente em áreas com águas mais frias no Sul da Tanzânia e Maurícias, áreas com poucas zonas protegidas.
Estas conclusões não sugerem o desaparecimento das áreas protegidas mas apontam para a necessidade de concentrar esforços nas áreas com maior taxa de recuperação e gerir o sistema como um todo. “Precisamos de nos concentrar nas áreas que estão a recuperar mais rapidamente ou a escapar aos impactos das alterações climáticas”, disse Graham. “Serão estas áreas que vão ajudar a repovoar as outras”.
Cientistas apelam à redução das emissões poluentes para salvar os corais
Um outro estudo divulgado hoje defende a redução das emissões de gases com efeito de estufa para evitar que os recifes de coral sejam destruídos pela acidez dos oceanos.
“A medida mais lógica e premente para resolver os impactos da acidificação dos oceanos nos recifes de coral é estabilizar a concentração de dióxido de carbono na atmosfera”, dizem os cientistas num documento designado Declaração de Honolulu, apresentado numa conferência norte-americana sobre recifes de coral no Havai.
Os recifes são “uma sentinela”, que dá o sinal de que o ambiente está a mudar, comentou o biólogo norte-americano Billy Causey do National Marine Sanctuary Program.
Os oceanos estão a tornar-se mais ácidos porque têm absorvido 525 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) nos últimos 200 anos, ou seja, um terço do CO2 emitido pelas actividades humanas nesse período. A água torna-se tão corrosiva que começa a dissolver as conchas e esqueletos das estrelas-do-mar e corais.
A Declaração de Honolulu vai ser apresentada às Nações Unidas.
Os recifes de coral, delicadas estruturas subaquáticas semelhantes a jardins rochosos, são importantes berçários e abrigos para peixes e outra vida marinha. Além disso são considerados uma barreira importante para as zonas costeiras e fonte de alimento, atracção turística e potencial fonte de medicamentos.
• Cursos
• Turismo
• Calendário
• Cadastro
• Equipamentos
• Manutenção
• Log Book
• Eu fui...
• Biblioteca
• Fale com o Joe
• Pergunte ao Dr.
• Que bicho é esse?
• Dicas
• Lançamentos
• Informativos
